quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

As novidades da Copa do Brasil e as vantagens que viriam com uma ampliação da competição


Imagine o Confiança eliminando o Flamengo e o Horizonte do Ceará desclassificando o Fluminense logo na primeira fase da Copa do Brasil. Ou o CRB desclassificando o São Paulo e o Palmeiras sendo eliminado pelo Sampaio Corrêa na segunda etapa da competição. Com o novo regulamento da competição, que começa hoje, esses resultados, ocorridos com o Flamengo em 2016 e com os demais em 2014, seriam realidade. Na época, todos venceram os jogos de volta e seguiram no torneio.

Agora, com a mudança no regulamento, na primeira fase, a disputa é em jogo único, sempre disputado na casa do clube com menor pontuação no ranking da CBF. O visitante tem o direito de empatar para continuar. Na segunda fase, também em jogo único, o empate leva a disputa para a decisão por pênaltis. A partir da terceira fase, entra em ação o mata-mata tradicional, com gols na casa do adversário valendo como critério de desempate. Na oitavas, a quinta fase do torneio, entram os clubes que estão disputando a Libertadores mais os campeões da Série B, da Copa do Nordeste e da Copa Norte.

Achei as mudanças muito positivas. Dão à competição um peso ainda maior e faz com que os grandes clubes a encarem com força máxima desde o início pelo fato de ser jogo único (para mim, o torneio todo deveria ser com jogo único para decidir a vaga). Hoje à noite, por exemplo, uma vitória da Caldense em casa elimina o Corinthians da Copa do Brasil. Não seria um resultado totalmente absurdo. Jogar em Poços de Caldas nunca foi simples e os clubes de Belo Horizonte costumam ter dificuldades lá. O mesmo vale para o Sport, que vai a Maceió encarar o CSA, para o Coritiba, que enfrenta o Vitória da Conquista, e para o Vasco, que pega o Santos do Amapá. Zebras fazem parte do futebol. Os mineiros que fazem a primeira partida como visitantes são três. O América enfrenta o Atlético do Acre, o Boa pega o São Raimundo de Roraima, ambos hoje à noite, enquanto o Cruzeiro encara o Volta Redonda, campeão da Série D do Brasileirão, na semana que vem. 

Como torneio nacional mais abrangente, a Copa do Brasil ainda poderia crescer mais e usar como modelo a tradicionalíssima Copa da Inglaterra, que reúne mais de 800 times. Claro que os menores entram em fases prévias e os clubes das duas primeiras divisões só se juntam à disputa depois. Na FA Cup, todos os jogos são eliminatórios e os confrontos são definidos por sorteio, assim como o mando. Em caso de empate, jogo de volta com o mando invertido para definir o classificado. Prorrogação e pênaltis acontecerão em caso de necessidade.

O próprio sorteio já movimenta o mundo do futebol na Inglaterra. Não foram poucas vezes que, logo que entraram em cena, por exemplo, Manchester United e Liverpool, os maiores campeões nacionais, se encontraram de cara, enquanto dois times da quarta divisão decidiam uma vaga na mesma etapa. Na minha opinião, uma Copa do Brasil nesses moldes agregaria clubes de todas as divisões nacionais e regionais possíveis, colocaria muitas torcidas e cidades no mapa e ocuparia parte do calendário de muitos times que ficam inativos durante um bom tempo. E ainda contaria com o fator surpresa de um time grande ou favorito sendo eliminado em um jogo único, sem a possibilidade de reverter. Daria mais emoção ao torneio.

O primeiro passo para uma grande Copa do Brasil foi dado quando a competição passou a ocupar uma parte maior do calendário anual, mas ampliar a quantidade de clubes, sem prejuízo do calendário para os times que disputam várias competições, seria muito bom. 


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Clássico no Mineirão foi ótimo para testar Atlético e Cruzeiro no início da temporada


O primeiro clássico mineiro de 2017, marcado pelo Mineirão dividido pelas duas torcidas e vencido pelo Cruzeiro por 1 a 0, já serviu para os torcedores mais apressados concluírem quem serve ou não para o seu clube, execrar quem falhou e superestimar aqueles que foram bem. Calma, gente, sem essa de tirar conclusões apressadas. A partida pela Primeira Liga, que levou cerca de 40 mil pessoas ao estádio, foi um excelente teste para os dois rivais, muito mais válido do que alguns jogos pelo Campeonato Mineiro. O momento, portanto, é de avaliar o que deu certo, corrigir o que deu errado e seguir com a preparação para o restante da temporada. 

Torcida atleticana fez sua parte ontem e não deixou de apoiar o time

A vitória cruzeirense foi merecida. Mais agressivo, ocupando melhor os espaços e tomando conta do meio-campo, o Cruzeiro dificultou a saída de bola do Atlético, que teve que recorrer aos famigerados chutões para tentar sair jogando - tática que não resultou em nada. O reflexo da melhor marcação cruzeirense foi uma série de erros de passes atleticanos. Pelo lado azul, Arrascaeta e Robinho fizeram bem a transição do meio para o ataque, trabalhando melhor a bola e ajudando a criar lances de perigo. Pelo lado atleticano, os meias Cazares, Otero e Maicosuel, mesmo invertendo posições, caindo pela direita e pela esquerda, pouco criaram e isolaram ainda mais Pratto, que praticamente não participou do jogo.

O Cruzeiro foi mais compacto, teve uma marcação mais eficiente, chegando a marcar no campo alvinegro, e usou muito bem os contra-ataques. Cabral e Henrique foram bem na proteção à zaga e foram eficientes na troca de passes, municiando e auxiliando a criação de Arrascaeta e Robinho - o argentino, inclusive, foi o autor do lançamento que resultou no gol do uruguaio, aos 27 minutos do primeiro tempo. Por outro lado, Sóbis, se tentava abrir espaços para quem vinha de trás, participou muito pouco do jogo, assim como Ábila, que não mudou o panorama do comando do ataque cruzeirense.

O Galo esteve longe de colocar em prática o estilo de Roger. O técnico gaúcho prioriza a posse de bola e a compactação entre os setores - e isso não aconteceu. Bem marcado, o Atlético teve dificuldade para sair jogando, apelou para os chutões, errou muitos passes e praticamente não incomodou o goleiro Rafael. Faltou aproximação entre os volantes e os meias, problema minimizado no fim do primeiro tempo quando o jovem Yago avançou um pouco para fazer esse trabalho. No segundo tempo, outro volante da base alvinegra, Ralph, mostrou personalidade e foi eficiente. Felipe Santana mostrou falta de ritmo de jogo e, exposto algumas vezes, falhou no gol e em outros lances. Quem também ficou exposto, mas fez uma boa partida foi o goleiro Giovanni, decisivo em alguns momentos do jogo.


Cruzeirenses festejaram bastante a vitória no clássico

Como qualquer clássico, o de ontem teve seus heróis e seus vilões. Roger e Mano tiveram a oportunidade de testar, logo no segundo jogo do ano, suas equipes. A tendência é que ambas vão crescer na temporada. Os erros e acertos de ontem certamente vão ser analisados, corrigidos e aprimorados. O fato é que é muito cedo para crucificar os vilões ou glorificar os heróis de um jogo de início de temporada. O momento é de aguardar a reação dos treinadores na montagem de suas equipes.

P.S. Era para ser um fato corriqueiro, que nem merecesse virar notícia principal, mas foi importante ver o Mineirão com as duas torcidas. Tradição do futebol mineiro, bom para clubes e torcedores. A guerra para ver quem grita mais, quem comprou mais ingressos, as bandeiras e a festa fazem parte do futebol. Não será sempre assim, terão jogos com 10% de um ou de outro, mas que foi muito legal, não tem como negar.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Atlético x Cruzeiro no novo Mineirão - os artilheiros, as curiosidades e os números do clássico


3 de fevereiro de 2013. Foi nesse dia, há praticamente quatro anos, que Atlético e Cruzeiro jogaram no Mineirão com a torcida dividida, fato que vai se repetir hoje à noite, pela Primeira Liga. Na ocasião, o jogo marcou a reabertura do estádio após as reformas para a Copa do Mundo. A partida, válida pelo Campeonato Mineiro, terminou com a vitória cruzeirense por 2 a 1 e 52.989 pessoas pagaram ingresso para ver o clássico. 

Desde então, nove jogos entre os rivais foram realizados no maior estádio de Minas Gerais, sempre com mando do Cruzeiro e com 10% dos ingressos destinados aos atleticanos - no estádio Independência, no mesmo período, foram disputadas outras dez partidas (algumas delas apenas com torcedores do Galo). O público de fevereiro de 2013 jamais foi superado em nenhum clássico, inclusive. Confira abaixo as curiosidades que envolveram o clássico mineiro nesse período.


  • Do clássico disputado em 3 de fevereiro de 2013, apenas Fábio e Alisson ainda fazem parte do elenco cruzeirense, enquanto Victor, Marcos Rocha e Leonardo Silva continuam no Atlético. O Cruzeiro, treinado por Marcelo Oliveira, jogou com Fábio; Ceará, Paulão, Bruno Rodrigo e Egídio; Leandro Guerreiro, Nilton, Everton (Alisson) e Éverton Ribeiro (Tinga); Ricardo Goulart (Dagoberto) e Anselmo Ramon. O Atlético, de Cuca, entrou em campo com Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver e Júnior César; Pierre (Gilberto Silva), Leandro Donizete (Serginho), Ronaldinho Gaúcho e Bernard; Araújo (Alecsandro) e Jô. Os gols foram de Marcos Rocha (contra) e Dagoberto para o Cruzeiro e Araújo para o Galo.
Confira os melhores momentos do último clássico entre Atlético e Cruzeiro com as duas torcidas dividindo o Mineirão:

  • Foram dez clássicos no novo Mineirão, com três vitórias para cada lado e quatro empates. O Atlético marcou 12 gols e o Cruzeiro, 14.
  • O Cruzeiro venceu as três primeiras partidas, todas em 2013: 2 x 1 pela primeira fase do Campeonato Mineiro, 2 a 1 na decisão do estadual e 4 x 1, pelo Brasileirão. Desde então, não conseguiu mais vencer o Galo no Mineirão. Entre 2014 e 2016, foram três vitórias atleticanas e quatro empates.
  • Três jogos foram decisivos e valeram taça. Em 2013, mesmo com a derrota por 2 a 1, o Galo foi campeão mineiro. Em 2014, o 0 a 0 deu o título estadual ao Cruzeiro e, ainda em 2014, o Atlético conquistou a Copa do Brasil ao vencer o rival por 1 a 0.
  • O jogo com o menor público em clássicos no novo Mineirão foi o empate em 1 a 1 pela primeira fase do Mineiro de 2015: 34.412
  • Três jogadores dividem a artilharia do clássico no novo Mineirão: Dagoberto e Ricardo Goulart, do Cruzeiro, e Carlos, do Atlético. Todos marcaram 3 gols. Diego Tardelli e Lucas Pratto, do Galo, fizeram 2. Éverton Ribeiro, Nílton, Alisson, Leandro Damião, Robinho, Arrascaeta e William (Cruzeiro) marcaram um gol cada, mesma quantidade de Araújo, Ronaldinho Gaúcho, Alecsandro, Rafael Carioca e Clayton (Atlético). Marcos Rocha, do Galo, marcou contra exatamente no primeiro clássico do novo estádio. 
  • No Independência, desde fevereiro de 2013, foram realizados dez jogos. São quatro vitórias atleticanas, três triunfos cruzeirenses e três empates. O Galo marcou 12 gols e o Cruzeiro, 9.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Um clássico para abrir 2017 de vez e o que Atlético e Cruzeiro mostraram na estreia do Mineiro


Um clássico logo de cara, no início da temporada. E no Mineirão, com o espaço dividido pelas duas torcidas depois de quatro anos. Nada mal para os torcedores, que terão a chance de ver um jogo esperado por todos em meio ao habitual marasmo do início do ano, recheado de jogos menores pelo campeonato estadual. Mas será que é bom mesmo para os times e para os treinadores? E no final de semana, Atlético e Cruzeiro já deram uma noção do que vai ser o restante de 2017?

Todos os grandes clubes precisam de testes de peso antes de encarar os maiores desafios da temporada e o clássico pela Primeira Liga (quarta, dia 1º, às 19h30, no Mineirão) deve ser entendido assim. Como evidentemente nenhum dos dois rivais está pronto, o resultado que vier precisa ser bem compreendido por todas as partes envolvidas. Óbvio que uma eventual goleada ou uma apresentação abaixo da crítica pode causar inúmeros problemas e está exatamente aí o motivo pelo qual os treinadores não gostariam que esse jogo fosse realizado logo de cara, após apenas um jogo oficial para cada lado em 2017. Saber administrar eventuais críticas pelo resultado que virá e entender que os clubes estão apenas no início de um trabalho é fundamental para torcedores, jogadores, técnicos e imprensa. 

Nem atleticanos nem cruzeirenses ficaram 100% contentes com o que viram nos jogos do último final de semana. Normal. Além de não terem sido testados por América de Teófilo Otoni e Villa Nova, respectivamente, Atlético e Cruzeiro ainda não estão em plena forma física, técnica e tática. O ritmo lento dos dois jogos também causou impaciência e críticas mais apressadas nas redes sociais.

No sábado, o Galo venceu por 1 a 0, não foi brilhante, mas apresentou várias características que serão vistas ao longo do ano. Muita posse de bola, jogadores mais próximos para receber passes (a famosa compactação), marcação firme, inclusive no campo do adversário, e mais jogadas pelas pontas. A equipe jogou sem duas peças importantes, Luan e Robinho, que nitidamente fazem falta. Um dos substitutos, Otero, se apresentou para o jogo e, na minha opinião, será muito útil ao longo do ano. Já Clayton não foi bem, mas tem potencial para melhorar. Apesar da marcação forte, o Galo, no segundo tempo, deu algumas brechas e o América teve uma chance clara, mas Giovanni correspondeu. 

No domingo, o Cruzeiro também controlou o jogo e chegou a abrir 2 a 0 com relativa tranquilidade. Mostrou um meio-campo com forte marcação, especialmente com Cabral e Henrique, bem auxiliados por Robinho. O ataque, com Alisson caindo pelos lados e Sóbis mais centralizado, rendeu menos que o esperado, mas abriu espaços para quem chega de trás. A defesa se confundiu em alguns momentos, como no gol do Villa, um cruzamento pelo alto concluído por Roni de cabeça no meio da defesa com muita tranquilidade. Ainda desorganizada, a defesa azul quase permitiu o empate, com Tchô, logo depois do gol da equipe de Nova Lima. 

A primeira impressão dos dois rivais no ano não é a que vai ficar - na minha opinião, os dois vão melhorar. O que todos podem esperar é um jogo mais forte e menos cadenciado na quarta, no Mineirão. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Os motivos que Roger dá para o torcedor atleticano acreditar em um 2017 vitorioso


Hoje é dia de retomar os posts aqui no blog. E, para recomeçar, vou falar um pouco sobre as primeiras impressões sobre o trabalho do técnico Roger Machado no Atlético e a expectativa que cerca a chegada do treinador gaúcho. 

Roger era a melhor opção no mercado para substituir Marcelo Oliveira. E outros clubes também pensavam assim, tanto que Palmeiras e Fluminense também tentaram a contratação de Roger - e ficaram, na minha opinião, com opções piores, Eduardo Baptista e Abel Braga, respectivamente. Mas qual o motivo de Roger ser tão valorizado?

Novo (41 anos), estudioso, qualificado, com uma carreira planejada e um trabalho de muita qualidade no Grêmio são as principais credenciais. Na prática, o que todo o país viu foi a campanha surpreendente do clube gaúcho no Brasileirão de 2015, quando uma equipe sem grandes astros, com jogadores da base e sem muitas expectativas chegou em terceiro lugar, garantindo uma vaga na Libertadores. A base estruturada e o estilo de jogo implantado por Roger permaneceram com poucas alterações após sua saída no ano passado, que terminou com a conquista da Copa do Brasil sob o comando de Renato Gaúcho. 

Nesse período, nos jogos que os torcedores mineiros viram de perto, especialmente os atleticanos, ficou bem clara a diferença de organização da equipe em campo. Em 2015, em excelente fase, o Atlético levou a partida contra o Grêmio pelo Brasileirão para o Mineirão e perdeu por 2 a 0. No ano passado, no Independência, apesar dos vários desfalques, o Galo foi engolido pelo tricolor gaúcho, que fez 3 a 0 no primeiro tempo. Na final da Copa do Brasil, já sem Roger, mas com a estrutura montada por ele, 3 a 1 para o Grêmio no jogo de ida, novamente no Mineirão. 

Em todas essas partidas, o que se viu foi uma equipe organizada, com jogadores cientes de suas funções em campo, substituições pensadas e acertadas, posse de bola, nada de chutões, marcação forte e, principalmente, compactação. Era difícil entrar na defesa gremista, assim como era difícil tirar a bola dos jogadores do time gaúcho - sempre tinha alguém perto para receber a bola, que não ficava muito tempo nos pés de um só atleta. 

Essas características eu pude comprovar no primeiro ensaio concreto da equipe alvinegra, o jogo treino do último final de semana, contra o Guarani de Divinópolis, na Cidade do Galo. Claro que era apenas um teste, um treino, mas, mesmo com as limitações físicas de um início de temporada e o pouco tempo de trabalho de Roger, ficou nítido que a equipe tem uma estrutura e um estilo de jogo que vai ser aprimorado ao longo do ano, ainda mais levando em conta que o elenco, que já é muito bom, será reforçado. 

No jogo treino, a zaga, com Gabriel e Felipe Santana, foi bem protegida pelos volantes Carioca e Yago, os laterais Marcos Rocha e Fábio Santos não deixaram tantos espaços na defesa e subiram ao ataque com segurança. Os meias Luan e Maicosuel se aproximaram para receber a bola dos volantes e jogaram perto de Fred e Robinho. A tal compactação que fez falta no ano passado estava aí. Esse time, com Giovanni no gol, jogou um tempo. Na etapa final, novos nomes, mas um mesmo padrão, com destaque para a zaga (Jesiel e Rodrigão), o volante Ralph, todos da base alvinegra, e o meia Otero. Posse de bola, defesa segura e time compacto e organizado. Jogadores da base testados de forma correta na Florida aproveitados. Até aqui, foi só um jogo treino, mas já dá uma pista do que pode vir por aí. 

Amanhã o Galo faz seu primeiro jogo oficial no ano, contra o América de Teófilo Otoni, no Independência, pelo Campeonato Mineiro. É apenas o campeonato estadual, início de temporada, sem Robinho, mas o momento ideal para o torcedor começar a ver de perto a estruturação da equipe, que só estreia na Libertadores em março. Tempo suficiente para a chegada do sonhado volante e para os eventuais ajustes na equipe. Até aqui, a impressão que fica é muito boa. O atleticano pode, sim, criar a expectativa de um 2017 vitorioso. 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O balanço positivo dos primeiros 500 dias da série 1000 Dias, 1000 Camisas


Com a publicação nesta quinta, dia 23, da camisa 500 da série 1000 Dias, 1000 Camisas em minha conta no Instagram (instagram.com/fredericojota), atingi metade do que me propus a fazer no início do ano passado. Naquela época, decidi atender ao pedido de muitas pessoas, que gostariam de ver minha coleção de camisas em um único espaço e decidi publicar, a partir de então, mil camisas em mil dias. O projeto atingiu uma marca interessante, mas os posts vão continuar, claro, até o final do ano que vem, quando a meta dos mil posts será atingida. Clubes e seleções de todos os continentes já foram mostrados na série.

Camisa do Dublin City, clube da Irlanda extinto na década passada
Queens Park, um dos clubes mais tradicionais da Escócia

No início, a ideia era, basicamente, postar a foto da camisa, com um ou outro detalhe, e informar a data em que foi usada. Com o passar do tempo, a série ganhou novos contornos e fui acrescentando dados históricos de determinado clube ou seleção a cada post, assim como curiosidades e casos relacionados a um determinado jogador cujo nome estava estampado na camisa.

Camisa do ABC, de Natal, que teve uma grande aceitação do público
O Varginha, de Minas Gerais, já encerrou as atividades
Hoje, o balanço que faço é que a série agregou muito conhecimento sobre o futebol, pois cada pesquisa que faço para saber a história de um clube ou de um jogador são mais dados que passam a ser reunidos. Muitos desses dados, mesmo sendo um estudioso do futebol, não eram conhecidos ou precisavam de uma pesquisa mais aprofundada, inclusive em sites estrangeiros e em alguns que foi preciso um baita exercício de tradução.

Seleções em destaque: Ilhas Faroe (acima) e Bósnia (abaixo)

Também pode ser acrescido a esse balanço o fato de a conta do Instagram ter se transformado em um espaço dedicado à história e à memória do futebol, por estar reunido lá um resumo de muitas histórias do esporte, seus ídolos, títulos e competições. 

Camisas curiosas: Atlético Rafaela (Argentina,a cima) e Cambridge United (Inglaterra)
 
Saprissa,o maior campeão da Costa Rica

Outro fato interessante que merece registro é a identificação que várias pessoas tiveram com as fotos de algumas camisas, inclusive torcedores de fora do Brasil. Vários contatos foram feitos, muitos comentários, dicas e sugestões. Há quem se identifique com o clube em si, enquanto outros remetem ao time de coração do pai ou simplesmente curtem a cidade de origem.Enfim, o balanço tem sido mais do que positivo. A partir de amanhã a série continua normalmente, afinal de contas serão mais 500 dias e 500 camisas diferentes.


























terça-feira, 16 de junho de 2015

Curta-metragem sobre defesa histórica de Victor contra o Tijuana perto de se transformar em DVD


Preservar a memória do futebol foi uma questão que historicamente andou longe de ser uma coisa comum e necessária no nosso país. Clubes de massa têm ídolos a perder de vista, os estádios são palcos que merecem sempre ser reverenciados e momentos que valem conquistas ou aqueles de superação deveriam definitivamente ter espaço cativo nas bibliotecas, livrarias e cinemas. O cineasta Lobo Mauro é uma dessas pessoas que acreditam na importância do registro da memória. No caso dele, um lance específico foi o estopim para se transformar em um curta-metragem e ser registrado para sempre na história. No caso, a incrível defesa do goleiro Victor, do Atlético, no jogo das quartas de final da Libertadores de 2013. A defesa do pênalti cobrado por Riascs quase aos 48 minutos do segundo tempo, e com o pé, garantiu o Galo na semifinal, eliminou o Tijuana, do México, e é encarado pelos atleticanos como a virada definitiva na história do clube, que ganharia logo depois a competição.



Intitulado "Quando se sonha tão grande, a realidade aprende", o filme reúne depoimentos de torcedores sobre a defesa e tem a narração de Willy Gonser, que fez história como principal narrador dos jogos do Atlético durante mais de três décadas. Além disso, tem as participações especiais do também narrador Osvaldo Reis, o Pequetito, e dos jogadores Leonardo Silva e Victor, protagonistas do lance de 30 de maio de 2013. Licenciado pelo clube, o filme está prestes a se transformar em um DVD. Por meio de um crowdfunding, uma campanha de financiamento coletivo que se encerra no próximo dia 22. No site http://www.kickante.com.br/campanhas/atletico-mineiro-pre-venda-exclusiva-dvd, quem se interessar em contribuir para o projeto, basta doar valores pré-estabelecidos que ajudarão na conclusão do DVD. Em troca, de acordo com o valor doado, prêmios serão distribuídos.

Lobo Mauro com a taça do Cinefoot, que hoje está na sala de troféus do Galo
 O DVD ainda terá diversos extras, como o curta "La Canhota de Dios", trailer, pôsteres e fotos. O curta-metragem foi premiado na 5ª edição do Cine Foot, em 2014, e ganhou a Guirlanda de Ouro na Itália, no ano passado. Nada menos do que o Oscar do audiovisual esportivo. Prova de que registrar a memória esportiva é algo mais do que especial.

Confira abaixo o trailer do curta-metragem: